segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Capítulo 23

Meia hora após sermos pegos e eu já não aguentava mais ficar na companhia de Adrian. Estou seriamente começando a considerar de que existe um tipo de TPM especial para príncipes demônios.

Mascarado não falara nada neste tempo todo, estava preocupantemente quieto, como eu nunca o havia visto antes, bem, não posso julgá-lo, é normal ter um pouco de medo quando te capturam após você ter escapado de um calabouço, sendo que você estava trancafiado em celas, e agora que elas provaram ser inúteis a nosso charme teriam a obrigação de nos prender em algo pior, mais perigoso. Viu? Nada a temer.

Tropeçávamos entre galhos e pedras, a caminhada ficava cada vez mais difícil, mas a parte preocupante estava longe de ser essa. Não estávamos indo de volta ao castelo. Estávamos nos afastando ainda mais. O medo começava pouco a pouco tomar espaço em minha mente, medo de não saber para onde estava indo, medo por não saber o que iriam fazer conosco quando chegássemos lá.

Para deixar tudo melhor, o tempo estava piorando, ventos fortes jogavam meus cabelos em meu rosto como chicotes, as roupas esvoaçavam que nem loucas, uma tempestade estava para chegar. Tamanho era o vento forte, que de minhas novas asas, às vezes, caiam algumas de suas penas. Queria poder fazer aquele negócio de sumi-las outra vez, seria bem útil neste momento.

- Acho que uma tempestade está chegando – Adrian, para a salvação do mundo, descobriu o óbvio.

- Nossa, se você não tivesse falado, nem teria percebido – sei que deveria manter minha boca fechada, mas não consegui, não podia perder uma chance dessas.

- Viu? Até você concorda comigo.

Estava preparada para dar uma resposta afiada, por que sério, como ele não percebeu todo o sarcasmo e veneno que eu havia lançado naquela frase? Mas antes disso, percebo que alguém está olhando afiadamente minhas costas, como se pudesse me bater. Não é muito difícil descobrir de quem seria este olhar. Na verdade tenho certeza de quem é. A única, ou uma das únicas, pessoas ali que teriam coragem de olhar detravessado um anjo, ou meio anjo se for muito exigente. Calei a boca do mesmo jeito, não iria nos botar em mais problemas pela minha boca grande.

Continuei calada enquanto nos dirigíamos ao desconhecido, dando respostas mentalmente mortais a cada comentário idiota que o príncipe demônio fazia. Como uma pessoa podia ser tão egocêntrica? E como uma pessoa, lê se eu, podia já ter ao menos gostado de tal pessoa? Mistério e mais mistério...

- Estamos chegando – fala um dos guardas.

Ao longe, já era possível ver uma casinha de palha mas, será que era aquele lugar?Se fosse ficaria mais que feliz em ficar ali, contato que estivesse livre de amarras e bem alimentada. O que certamente não iria acontecer.

- Não criem muitas esperanças, aquela casinha não é nada do que parece ser – muito obrigada guardinha.

Mas a chuva, infelizmente, não esperou nossa chegada. Ela começou fina, fraquinha ainda, como se nos testando, após um momento depois, um tremendo temporal caiu em cima de nós, nos encharcando completamente. A água não deu trégua. Não havia lugar algum que nos servisse de abrigo no meio de todas aquelas árvores. Tropecei em um galho caído e quase cai em meio a lama no chão antes que Mascarado conseguisse me segurar.

- Tome mais cuidado.

- Fácil falar.

Trovões começaram a soar no céu acima. A cabana estava cada vez mais perto. Não sei o que seria pior, ficar na perigosa tempestade ou entrar naquele, aparentemente, pacífico lugar.

A chuva forte começou a cair. Andamos mais rápido, minhas asas me encharcavam e me puxavam junto ao vento, percebendo que, logo eu poderia fugir, tendo a intenção ou não, Adrian mandou dois guardas ao meu lado.

- Não consigo... Andar – a rajada de vento era forte sob minhas asas já pesadas pela água da chuva. Os dois guardas não ajudavam muita coisa, eram apenas humanos.

- Recolha suas asas. Afinal, por que ainda está com elas assim?

- Abaixei minha cabeça e continuei lutando contra o poder do vento.

- Te fiz uma pergunta – chegou perto de mim e agarrou meu cabelo – Responda.

Continuei quieta.

- Ela não sabe como – Mascarado fala.

- O quê?

- Ela ainda não tem controle sobre si mesma.

- Ótimo, um anjo que não tem controle de suas asas. Perfeito.

Meia anjo.

- Nem de sua boca.

- Uma coisa que estou completamente de acordo – Mascarado concorda.

Que amor, nem conseguiria imaginar que Mascarado concordaria com Adrian em alguma coisa, mas aqui estou eu, a ligação entre os dois.

Chegamos a cabana totalmente encharcados. Por dentro, parecia totalmente indefesa como era por fora. Alguma coisa não estava certa.

- Sério? Este será o nosso temível cativeiro?

- Cale-se – sussurrou Mascarado.

- E é aí que você se engana. Agora tudo isto parece bastante confortável e inofensivo, não? - sem esperar resposta, continua – Mas não é. Sigam me, por favor.

- Como se tivéssemos alguma escolha – murmurei, recebendo uma cotovelada.

- Nenhuma escolha? Ora essa, que acusação mais falsa. O que não lhe faltara em toda esta história foram escolhas, e exatamente por elas mesmas você veio parar aqui. Não é culpa minha que você se meteu no meu caminho, ou talvez posso ter ajudado um pouco nisso, mas daí em diante os acontecimentos foram guiados pelas suas escolhas. Acho que vendo deste lado da história, não sou eu quem deveria ser o vilão.

Não havia tempo para pensar sobre isto, mais tarde me preocuparia com isso. Guardas nos empurravam mais fundo na cabana até acharmos um pequena escada que levava ao subterrâneo. Em nossa caminhada, tentei gravar cada detalhe da cabana, caso precisássemos disso em uma chance para fuga. Descemos as escadas até um grande porão, mais parecido com uma sala de tortura subterrânea.

Jogando me ao chão sem nenhuma gentileza, agarraram meus pulsos e minhas canelas para me imobilizar, mas não precisavam se preocupar com isso. Sabia que agora não poderia fugir, não haveria nenhuma chance de sobreviver, a hora chegaria, mas não seria agora.

Aproveitando minha resignada colaboração, prendem algemas, vindas com um barulho ensurdecedor de suas colocações na parede, em meus pulsos e canelas. É um ferro diferente, mais pesado e quando encostado em minha pele, queima, arde.

Loucura toma conta de mim, começo a me debater e tentar quebrar e puxar tais algemas para fora de mim, apenas causando ainda mais ferimentos em meu corpo e em meus ouvidos, pelos barulhos das correntes, grito de raiva, mas não posso fazer mais nada, Adrian estava certo, tudo isto só aconteceu por minha causa, mas não vou ficar depressiva e me deixar levar pela dor da culpa, não, vou achar um jeito de sair dessa.

Paro de me debater para pensar claramente, quanto mais imóvel fico, menos dor causo a mim mesma.
Ergo a cabeça, só para encontrar Mascarado me olhando sem nenhuma emoção aparente por cima daquela máscara, com Adrian sussurrando alguma coisa em seu ouvido, não parecendo nada feliz. Percebendo que meu ataque já acabou, se vira para mim, ao mesmo tempo em que joga Mascarado ao meu lado no chão, a mesma coisa é feita com ele, que ao contrário de mim, não parece ter nenhuma rejeição ou alergia por suas algemas.

Olho confusa para Adrian.

- Metal hadjar.

- Ainda não entendi.

- Baltazar, você deveria manter nossa pequena anjinha aqui informada – diz olhando para Mascarado. Não Mascarado, Baltazar. Enfim descobri seu verdadeiro nome, posso dizer que não foi como imaginei – Hadjar, é um tipo de metal temível para os anjos, ainda mais para metades como você, que não tem todo o incrível e angelical poder curativo ou qualquer coisa assim dos verdadeiros.

- Por quê?

- Pergunte a Baltazar, ele sabe sobre tudo ainda melhor do que eu. Divirtam-se! - fala o mesmo tempo em que sobe escada acima para a superfície.

- Desgraçado – Masc... Baltazar resmunga.

- Desgraçado? Olha quem fala, fingindo me ajudar a escapar e olhe agora, parece que você e meu captor são amigos tão íntimos – olho para o outro lado e o mando calar a boca quando tenta se explicar, um sentimento de traição começa a me corroer por dentro.

4 comentários:

  1. *o*, O Adrian é um completo #$*&@!!! Mascarado (eu gosto mais de mascarado do que baltazar, sei lá fica misterioso \o/) e Adriam se conhecem? Agora que eu estou ainda mais curiosa....

    bjos

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  2. WHAT THE FUCK? O Mascarado aka Baltazar conhecem-se? Jeez, Laari... sem mais nenhum capítulo novo vou virar tontinha a pensar nisto...

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  3. Tipo assim, como você fica tanto tempo sem postar!!!!!
    Eu estou tendo uma abstinência de mascarado/Baltazar/Adrian *~* rsrsrs
    Tem um selinho pra vc no meu blog
    http://afterdarkmo.blogspot.com/2012/01/outro-selinho.html

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  4. MIL DESCULPAS POR NÃO POSTAR !!! É que eu tava lendo bastante e fiquei mais concentrada em pintar tb...--' Bom, sim, o Mascarado é uma pessoinha bem diferente, isso posso contar pra vcs ;PP UHASUHUHAUHSHUSA'

    Brigada pelo selinho Marrissa *---*

    LaariFerrari,
    bjs :*

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