quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Capítulo 22

Acordei com uma respiração pesada em meu rosto, abro os olhos e a primeira coisa que vejo é a boca de Mascarado.

- Mas que mer... - ele ainda estava dormindo, me afastei um pouco e olhei pra cima, sua mascara estava um pouco frouxa, uma ideia me ocorreu. Levantei meu braço devagarmente, tentando não fazer nenhum movimento brusco e acordá-lo, minhas mãos estavam quase puxando o laço detrás de sua cabeça que prendia a mascara em seu rosto quando um passarinho passou cantando, puxei meu braço o mais rápido possível, mas não o bastante pelo visto, já que ele o agarrou e o segurou junto ao seu peito. Mascarado idiota, sempre tinha que complicar tudo. Esperei mais uns minutinhos e quando ouvi sua respiração calma e relaxada de sono, tentei novamente. Mas o meu outro braço estava embaixo de meu corpo, não tinha como tirá-lo de lá sem que o ser acordasse. Mas se eu fosse rápida o suficiente, quem sabe não podia ter um vislumbre rápido?

O mais rápido que eu consegui, tirei meu braço de debaixo de meu corpo e puxei a fita de sua mascara.



Minha alegria durou pouco e um sentimento de medo me pegou logo depois já que minha mão ainda continuava lá, segurando a fita, junto da de Mascarado.

- Veja só o que temos aqui, parece que alguém estava tentando fazer uma coisa errada, muito errada – seu aperto em minha mão ficava mais forte a cada fala – Depois sou eu que não mereço confiança.

- Culpa sua, se tivesse me ouvido e dormido daquele lado, nada disso teria acontecido.

- Tem mesmo certeza? Pois eu não teria tanta confiança em si mesma. Acho que a anjinha deve ser punida por tentar fazer algo assim.

- O que quer dizer com isso? - perguntei arregalando meus olhos.

- Já, já você irá descobrir...

- Isso não tem graça.

- E quem disse que era pra ter?

- Você está me assustando.

- Melhor ainda.



- Pare já com isso.

- O que você irá fazer se eu continuar? Me esmagar com a sua chatice.

- Eu pensaria em alguma coisa. Na hora. Improvisaria.

- Apesar de haver várias possibilidades, não vejo nenhuma em que você se saia vitoriosa.

- Você é vidente agora por acaso?

- Também, mas não utilizaria esse nome para me descrever.

- E qual seria?

- Maravilhoso, lindo, espetacular...

- Se a sua autoestima é assim tão alta, por que não tira essa mascara e me mostra como você é realmente bonito, pois, vou confessar, já estou começando a duvidar desta divindade toda.

Ele chegou mais perto de mim e sussurrou em minha orelha.

- Não existe apenas a beleza física, Agata. Lembre-se disso posteriormente.

- Tudo bem oráculo da sorte. Vamos? - ele balançou a cabeça discordando – Por quê?



- Ainda temos assuntos a tratar, não pense que esse papinho furado me fez esquecer – sua mão passou pela minha cintura e me puxou forte junto a si. Fechei meus olhos com sua proximidade, podia sentir sua respiração em meus lábios e como se outra pessoa estivesse no comando de meus gestos eles se abriram. Esperei vários segundos e quando nada aconteceu, abro os olhos e vejo Mascarado me encarando, seus olhos eram amarelos.

- Por que está rindo?

- Pela sua cara, ia mesmo me beijar? - perguntou rindo.

- Claro que não – minha cara foi enrubescendo – Idiota, nunca faria isso. Nunca – gritei dando tapas em seu peito.

- Ah, caramba, você ia mesmo me beijar- ele disse para me deixar ainda mais constrangida – Se soubesse disso não teria deixado essa chance passar.

- Idiota, eu nunca teria deixado!

- Não é o que está parecendo – me puxou de volta.

- Me solta!

- Só depois de terminarmos o que começamos.



- Nun... - seus lábios estavam nos meus antes mesmo de eu terminar de falar. Ele pensou mesmo que eu era tão fácil assim? Ele acha mesmo que depois de me constranger eu iria correndo pular no braços dele. Idiota. Mordi seu lábio com toda força, mas infelizmente fui interpretada de maneira errada. Seus lábios passaram de minha boca para meu pescoço.

- Sabia que você era uma das mais selvagens.

- Me larga, eu não quero isso.

- Duvido – seus lábios voltaram e não importa o quão forte eu o empurrava, ele sempre resistia. Tentei chutá-lo novamente, mas com isso ele pegou minha perna e a passou pela sua cintura. Em pouco tempo eu já estava encostada numa árvore, ou sendo empurrada contra ela, não mais resistindo. Acho que no final das contas, ele estava certo. Minha mão, não mais empurrando e sim puxando-o mais perto, se apertava em torno de sua nuca.

- Agaaaaata. Onde você essstá? - uma voz fina e conhecida chegou até nós.

Nos olhamos e congelamos ao mesmo tempo. Será que se ficássemos quietos ela iria embora e nos deixaria? Pouco provável eu sei, mas se ficássemos bem quietos...

- Posso sentir seu cheiro minha querida, nem tente se esconder ou fugir, irei achar te achar de qualquer modo.



Sai de cima de Mascarado muito calmamente, tentando fazer o minimo de barulho possível. Juntos começamos a caminhar para o lado oposto da voz de Monique. Mas como sempre, consegui por tudo a perder quando pisei em um galho quebrado.

- Como sempre tão desengonçada, não Agata? - sua voz estava chegando mais perto muito rápido então, sem nenhuma outra alternativa aparente, começamos a correr.
Enquanto dava o máximo de mim para despistá-la, uma mão agarrou meu pé.

- Desta vez não terá tanta sorte – Monique estava deitada na terra enquanto apertava e arranhava meu tornozelo.

- Você que pensa vadia – com isso dei um chute em seu rosto e sai correndo o mais rápido possível, mandando Mascarado não me esperar e ir mais rápido também.



Mas como já podíamos prever, Adrian e seus guardas nos esperavam do outro lado, acabando com nossa chance de fuga, se é que já existiu alguma.

- Pensando em fugir?

- Claro que não. Nós só estávamos correndo de vocês todos com o propósito de brincar de pega-pega - fiz cara de bosta, o que não é muito difícil, com toda minha prática.

- Não é hora para sarcasmos – Mascarado resmungou.

- Seu amiguinho está certo, Agata. Se não quiser acabar em um calabouço novamente é melhor agir como a dama que você não é.

- Ótimo, que se dane. Eu sei que mesmo se eu ser a dama que nunca fui ou serei vocês vão nos por em lugares piores ainda. Então, pra que me preocupar?

- Pra que se preocupar, você me pergunta. Bem, se você não seguir minhas regras e ficar de boca fechada pelo menos a maioria do caminho, não terá mais que se preocupar com isso.

- É uma ameaça?

- Sim, e é melhor você começar a levá-la a sério para o seu próprio bem.

2 comentários:

  1. OMG!!! A sua historia esta cada ez melhor *-* , minha quedinha pelo mascarado esta piorando (quem é ele?) e o Adrian estou cada vez mais curiosa a respeito dele.

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  2. UHASHUSAHSAHUASHU' Quem é o mascarado?!? Bom, só em Renegado vc vai saber muahahaha
    Mascarado já tá virando pegador é? HUASHUSAHAHUASHU'

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