sexta-feira, 25 de março de 2011

Capítulo 20

- Desculpe me por quebrar este horrível silêncio, mas como você acha que pode nos tirar daqui sem que as bruxas nos percebam?

- E eu que vou saber? Já te tirei de lá, que tal me ajudar um pouquinho com o plano?

- Que plano?

- Nenhum, só modo de falar mesmo.

- Ok... Eu fiquei hospedada aqui por metade de um dia, acho que consigo lembrar de uma saída pelos fundos, não?

- Que tal por aquele lado – apontou para um corredor vazio.

- Seria conveniente demais você saber onde fica a saída sem nem pensar muito, como se já tivesse morado aqui, né?

- Tire as conclusões que quiser, não vou me defender nem revidar, mas prefere ficar aqui pensando em teorias ou sair deste inferno?



- A segunda opção é mais que bem-vinda.

- Ótimo, porque não sei se você sabe, mas seu amiguinho aqui é bem pesado.

Seguimos na direção indicada e fomos parar em uma antiga cozinha, com forno a lenha e tudo mais. Mas o mais incrível de tudo era que ela estava abandonada.

- Ah não, agora você vai me dizer que foi por pura sorte que encontramos justamente a cozinha abandonada com saída pelos fundos, não é?

- E por que não? - falou abaixando cada vez mais o volume de voz – Será que senhorita poderia fazer o favor de abaixar o tom de voz?

- Claro, mas lá fora você não vai me escapar, está me ouvindo? - ouço passos vindos em nossa direção.

- Tem alguém aí? - mascarado põe o dedo indicador os lábios sinalizando para mim fazer silêncio, como se eu fosse idiota o suficiente para começar a gritar em um momento tão tenso como este.



Fomos seguindo em direção a saída, o mais rápido e sem provocar nenhum barulho possível, mas sempre quando as coisas estão ruins tem que haver alguma que pode piorar ainda mais e desta vez não foi exceção, mesmo que sem querer bati meu braço em uma panela, que por sua vez bateu nos talheres, que deslizaram todos ao chão, fazendo todo o barulho existente.

- Merda! - lanço um olhar culpado para o mascarado.

- Quem está aí? Se apresente logo ou irei correndo chamar os guardas!

O Mascarado apenas lança um olhar cansado pra mim por baixo da máscara, joga Adam no chão, causando mais barulho ainda e começa a andar na direção da empregada que nos interceptou, enquanto fazia isto estava tirando alguma coisa escondida por trás de seu colete. Um baralho de cartas.



- Um prisioneiro! - falou a empregada com voz esganiçada – Não me mate por favor! - pegou uma frigideira.

- Calada! - no momento em que a palavra foi dita a velha senhora ficou imediatamente muda – Agora preste muita atenção no que vou lhe dizer, está pequena carta, o Rei de Espadas, me dá o poder de matá-la ou deixá-la viver, ou mais perverso ainda de matar alguém muito querido para você – enquanto ameaçava a velhinha ele dava devagarmente voltas em torno dela, em sua mão o Rei de Espadas girava e era manipulado por ele, fazendo com que criasse a ilusão de que a carta estava voando, pelo menos eu esperava que fosse ilusão – Você vai voltar de onde tenha vindo e lhes dizer que era apenas um rato causando baderna na cozinha, não é?

- Sim mestre – a senhora agora estava completamente hipnotizada, com direito aos olhos vidrados e tudo mais.

- E se não seguir exatamente estas instruções o que irá acontecer?



- O senhor irá me matar e também meu querido marido.

- Isso mesmo, agora largue esta frigideira e vá, como se nada tivesse acontecido – a mulher seguiu suas ordens e pouco tempo depois estávamos novamente sozinhos.

Ele guardou a carta e puxou Adam para seu ombro novamente. Quando eu estava prestes a pedir uma explicação ele me interrompeu.

- Depois – me lançou um olhar que fez meus ossos gelarem. Tudo bem, sem explicações.

Por enquanto, pelo menos.



Lançamo-nos numa corrida de lerdos enquanto fugíamos do, nosso não mais, quartel general.

- Alguma ideia de para onde ir agora?

- Talvez eu tenha pensado em alguma coisa enquanto estávamos trancafiados.

- Talvez? - ele me pergunta preocupado.

- Sim, pois não sei exatamente como ir para lá.

- Não é na vila, é?

- Claro que não, eu não seria tão boba.

- Nunca se sabe.



- Ora, cale-se e me deixe pensar, nós temos que ir para uma gruta, lá está o que precisamos para entender mais sobre tudo isto, pelo menos eu preciso. Só há alguns problemas.

- Quais?

- Não sei sua localização ao certo, apenas que temos de seguir pelo bosque para achá-la. É muito longe, tanto que dá primeira vez, demorei alumas horas para ir até lá acompanhada de uma pessoa e, pode ser que essa mesma pessoa que me levou até este lugar esteja se escondendo lá.

- Por que temos mesmo que ir pra lá?

- Porque assim encontraremos um livro precioso que poderá nos dar as respostas de todas as nossas perguntas.



- Só isso?

- Apenas isso e claro você carregará Adam até ele acordar por todo o caminho.

- Bom pra mim.

Claro, afinal, apenas irei viajar dias em um bosque com uma pessoa que se recusa a me deixar a ver seu rosto, já me agarrou a força e consegue impor sua vontade, fazendo as outras pessoas fazerem sua vontade apenas manipulando cartas. Mas vejamos pelo lado bom, nesta viajem irei aprender mais sobre ele. Pelo menos, assim é o plano.

Agora me digam, como é que fui parar aqui mesmo?

2 comentários:

  1. *o*
    Ansiosa, por mais...
    Já mencionei que eu amo essa historia?
    Beijos

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  2. SUHASUUHASUHAS'
    Wooww brigado *-----*

    ps: pode demorar um pouquinho para eu postar novamente, mas eu não vou abandonar essa estória.

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