segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CAPÍTULO 18

Acordei em no que acho que é o porão do castelo, estava sujo e podia ouvir os ratos se mexendo ao longe.

Ai, que dor. Minhas asas. Coloco minhas mãos atrás do meu corpo e tudo o que sinto são algumas pontas quebradas e um liquido descendo entre elas.

Sangue.

Olho pra frente e nada vejo, é escuro, estou fraca, cansada e minha visão está normal, como a de uma pessoa qualquer. Por isso, começo a rastejar até encontrar barras de ferro, ótimo, estou realmente trancafiada neste lugar. O que será que aconteceu com Adam? E por mais que isso seja uma pergunta um tanto retórica de minha parte: "O que nossos pais irão pensar de tudo isso?" Isso se algum de nós conseguir voltar com vida. O que estou pensando ser muito dificil no momento... 

Tenho que arranjar um jeito de sair daqui,tenho que salvar os outros...

Ouço passos vindo em minha direção, volto para o fundo de minha jaula, a porta se abre rangendo de ferrugem e tudo o que consigo ver são dois pares de olhos vermelhos sangue.

- Olha que gracinha, está com medo - uma voz feminina fala, não, acho que me confundi, essa voz...

- Monique?

- Por que todo espanto? Pensei que você iria ficar feliz em ver que estou bem.

- Mas seus olhos, seu jeito de falar, são totalmente diferentes....  

- Isso porque eu, digamos, renasci quando nosso amado amiguinho aqui me usou para sua transformação.

- O que você quer dizer com isso? O que você fez com a minha melhor amiga? - perguntei a última parte para Adrian, ainda não sabia suas localizações, só sabia que estavam perto, era quase impossível não ver o brilho de seus olhos.

- Ela apenas passou por uma transformação assim como eu, o que fez muito bem a ela, se me permite dizer. 

- Não permito. Nica e o Sam? O que aconteceu com ele?

- Ele está onde deve estar no momento - me respondeu Adrian,cortando Nica.

- Agora além de carcereiro virou charadeiro? Me dê uma resposta simples ou não fale nada.

- Tudo bem. Vamos Monique.

E assim eles saíram do porão, ou pelo menos penso que sim, afinal, pude ouvir seus passos subindo as escadas.  

Um barulho de arrastar o corpo do outro lado da cela me assusta.

- Tem alguém aí?

Nenhuma resposta.

- Você é uma ratazana super gigante?

Só ouço o barulho de risadas. 

- Acho que isso é um não. Eu te conheço? - por favor não seja um psicoáta, por favor não...

- Meus lábios com certeza.

- Tarado?

- Se você preferir assim.

- O que você está fazendo aqui? Por que, não sei se deu pra perceber, mas não é um bom lugar para reencontros.

- E quem disse que eu vim aqui para te reencontrar?

- Ouch. Um verdadeiro cavalo.  

- Minhas desculpas à dama. Mas eu também não queria estar aqui, preso em uma cela, ao lado da garota que eu beijei e que ainda por cima me chama de tarado, esperando apodrecer, ou que alguma daquelas bruxas venham e tirem minha amada vidinha, que eu nem aproveitei direito ainda. Ó destino cruel! Era essa a resposta que você queria?

Minha boca formou um O.

- Tirando todo esse drama, sim.

- E ela ainda tenta fazer piadinha!! Meu Deus, o que eu fiz pra merecer isso?

- Me beijou.

- Por que? Por que eu fui fazer essa besteira? 

- Ah para de fazer drama e cala a boca vai - peguei um rato que já estava escutando se mecher ao meu lado faz tempo e o joguei na direção de sua voz.

Só ouvi o barulho de alguma coisa, o meu rato, sendo amassetado contra uma barra de ferro, coitado...

- Você jogou um rato contra mim!!!!!!-isso não era uma pergunta-Como você pode fazer isso? UM RATO!!!!!! COITADINHO!!!!!- claro que ele nãogritou, mas sua voz estava um tanto esganiçada.

- O que está acontecendo aqui? - a voz do meu agora carcereiro veio de longe.  

- Nada, só estou brincando com os ratos. Sabia que eles são ótimos amiguinhos para uma pessoa-solitária-enjaulada-que-está-com-
as-costas-doloridas-e-com-muita-raiva-de-quem-fez-e-quem-ajudou-a-fazer-isso?

A porta é novamente fechada.

- Você é louca por acaso?

- Sim, mas pelo menos eu não saio por ai beijando todo mundo que eu vejo pela frente.

- Você não é todo mundo, minha louquinha. 
 
- Isso não vai amolecer meu coração, mas foi muito fofo da sua parte.

- E eu nunca disse que não te conhecia.

- Então você me conhece?

- Também nunca disse isso.

- Estou começando a ficar confusa.  

- Começando, acho que vou ter trabalho então.

- Por que você quer que eu fique confusa?

- Onde você ouviu isso?

- Você acabou de dizer isso.

- Não disse nada não.

- Disse sim.

- Não, acho que você está ouvindo vozes.

- Ok, você venceu.

- Por quê? 
 
- Eu estou totalmente confusa no momento. Feliz?

- Um pouco.

- Preferia quando pensava que estava solitária aqui...

- Eu também...

- Cavalo!

- Louca!

Ótimo, agora estou dividindo a cela com um tarado psicopata. Minha vida é tãaaaaaaao legal.

Adoro uma boa ironia... 

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