quinta-feira, 19 de agosto de 2010

CAPÍTULO 12

Quando fui embora do castelo, não imaginava que ele ficava tão longe da vila e, portanto, eu teria que andar muito.

Uma hora depois e eu estava na metade do caminho ainda, eu acho.

Começo a ouvir o barulho de cascos de cavalo, se fosse alguém tentando me matar, eu juro que mataria primeiro, porque depois de uma hora de caminhada em um sol de lascar e vestindo um vestido infernal, você não vai querer que meu humor melhore.

Me virei para ver quem seria o infeliz, meus olhos agora deveriam estar puro roxo de tanta raiva que estava. Mas, quando vi quem era, rapidamente olhei pra baixo, para que Adrian não visse meus olhos.

- Você ainda está aqui? Pensei que já estivesse na vila faz tempo.

- Oh! Desculpa se eu não tenho uma super velocidade que nem ao super homem, monsieur.

- Super quem?

- Esquece.

- Tirando esta última parte que eu não entendi nada, você gostaria que eu te levasse para a vila de cavalo.

- Se não der muito trabalho, ficaria agradecida.

Quando montei atrás dele, senti o cavalo reclamar pelo meu peso.

- Será que o seu cavalo vai me aguentar? - Culpa desse vestido, pra que tantas camadas? Não sei.

- Jack é forte - ótimo o cavalo tinha nome - Mas eu não me importaria se você se livrasse das roupas - ótimo de novo, outro engraçadinho na minha vida.

- Não cher - adoro falar francês - as roupas ficam e, como você disse, Jack é forte.

- Tá bom, então, é uma pena - com esse comentário dei um soco em suas costas.

Não devia ter feito isso, pois bem quando eu lhe dei um soco, ele pois o cavalo pra correr, tirando meu quase nada existente equilibrio e se eu não tivesse agarrado sua cintura teria me espatifado no chão.

- Por que estamos correndo tanto? - gritei para ser ouvida acima do barulho que os cascos faziam enquanto corriam.

- Quero te levar pra um lugar antes de te deixar na vila.

***

Quando paramos, minha bunda já estava dolorida pela corrida que fizemos. Mas, acho que valeu a pena.

A vista era esplendida. Estavamos em frente de uma gruta, no meio do bosque que havia ali. Ao redor da gruta, as árvores eram verdes, ricas em frutos e flores, o sol, que estava próximo do meio dia, fazia as árvores brilharem ainda mais.

Ele saiu de cima do cavalo e me ajudou a descer.

- Me acompanharia? - falou se dirigindo para a entrada da gruta.

- Será que eu deveria? Não seria eu muito audaciosa, depois do que me aconteceu? Você não iria me matar, ou se aproveitar de uma pobre garota nova na villa, que, além dos amigos que não sabem onde ela está, ninguém sentiria falta, não é? Será que terei coragem de te seguir? Mas, você é o príncipe, me disseram que você era respeitável, deveria confiar?

- Só se você se atrever a confiar em um príncipe que te salvou, levou-a para seu castelo, cuidou de você e que ainda todas as pessoas falam que é respeitavel.

Pensando por esse lado...

- Vamos ou não? Se você não quiser, posso te deixar na villa mas, primeiramente, gostaria muito que conhecesse esse lugar secreto, onde somente eu sei da existência e agora você também.

- E por que você estaria me mostrando isso, se só conhece apenas meu nome e nada mais? - fui andando até onde ele estava, para seguirmos para dentro da gruta.

- A resposta mais prática seria dizer que eu confio em você. Mas, para você, posso dizer que só o tempo dirá?

- Então acredita que vai me encontrar novamente?

- Você vai ao meu baile, não vai?

- Se você não me matar, acho que poderei ir, não é mesmo?

Tivemos que nos agachar para passar pela entrada. Pelo menos o chão não estava enlameado, assim só restava algumas poucas sujeiras em meu vestido.

Era maravilhoso, a coisa mais linda que eu já havia visto. A água formava um tipo de lago no fundo da gruta. Lindo. Estava um pouco escuro, mesmo com os rais de sol entrando pelas frestas, a noite isso deveria ser apavorante mas, a luz do dia era... magnifico.

Eu estava tão encantada com a vista que nem vi Adrian chegando mais perto, até que ele sussurrou no meu ouvido.

- É agora que eu deveria te matar? - disse em um tom de brincadeira.

- Acho que estava errada quando te segui. Será que eu não deveria ter confiado em você?

- Será? Eu posso ser muito confiável, mas também posso ser um assassino, porque pelo que eu me lembre, nunca prometi que não te mataria. Prometi?

- Não.Mas, se você quisesse me matar, já teria feito isso faz tempo, enquanto eu estava inconsciente, não é verdade?

- Pode ser.Mas, e se eu não sou um covarde para atacar uma pessoa inconsciente, ou, talvez, eu só goste de ver a pessoa sofrer enquanto a mato?

- Agora pode parar com isso, por que já está começando a me assustar.

- Por que? Não é nada de mais, apenas uma brincadeira. Ou será que não? Será que eu faria mesmo alguma coisa dessas? Com você? Bem, que tal esperar e descobrir?

- Tô falando sério, para com isso! Você está me assustando. O que aconteceu? Você não era assim, a menos que...

Percebi uma coisa nele que não havia visto antes. Que tonta eu sou, estava tão distraída. Agora, poderia já ser tarde demais, só que quando olhei em seus olhos com atenção, pude ver algumas manchas vermelhas junto com o verde natural.

Tapei a boca com uma mão e gritei.

- Percebo que você já descobriu quem sou. Demorou um pouco mais do que eu pensava, devo dizer.

- Mas...Mas como você sabia de tudo isso?

- Eu me conheço, ainda lembro, um pouco que seja, de como eu era nessa época e que eu já devia estar trabalhando para fazer o baile...

- O que você quer de mim? Por que estão atrás de mim? Querem me matar?

- Que tal esperar e descobrir?

Começou a andar até mim.

Sai correndo de lá, indo em direção a entrada da caverna, desviando dele.Mas não por muito tempo, pois ele agarrou meu braço com força e, dessa vez, pelo seu olhar eu tinha quase certeza
de que não iria me soltar. Quase, pois devemos ser um pouco otimistas ás vezes.

- Me solta!!!

- Sempre a mesma ladainha. Será que vocês não percebem que falam uma coisa que obviamente é impossível de acontecer.

Cheguei mais perto dele, andando devagar, tentando ser sexy. Ficando tão próxima de seu corpo que eles já estavam se tocando. Me aproximei de seu ouvido e sussurrei:

- Vamos ver se é mesmo...

- O que você ...

Adrian não conseguiu terminar a frase, pois ficou um momento sem ar quando lhe dei uma joelhada na virilha. Felizmente foi momento o bastante para mim passar rastejando pela saída da gruta, montar em seu cavalo e sair cavalgando na direção da vila.