quinta-feira, 1 de julho de 2010

CAPÍTULO 7

Ágata

Ele era lindo, sexy e muito gostoso, vestindo aquela camiseta preta apertada. Seus cabelos eram pretos, com franjinha e corte de ladinho, pálido. Quase que não consigo escapar diante de tanta gostosura - OMG .

Quando ele agarrou meu braço pensei que não ia mais conseguir escapar, no entanto, ele ficou me encarando, seus olhos me varreram por inteira, parando primeiro em meus lábios e depois subindo novamente até meus olhos.

Seu aperto se afrouxou, mas fiquei paralisada, o encarando com o mesmo tipo de intensidade.

Acho que vi algo parecido como fogo - um desejo - no fundo de seus olhos. Eles começaram a se tornar vermelhos e foi só por isso que consegui ter forças para me livrar de sua mão para conseguir fugir.

Quando cheguei Adam estava histérico e me abraçou forte, fazendo um questionario de perguntas.

- Como conseguiu sair de lá? Ele agarrou seu braço, eu vi. Já estávamos indo te buscar, eu só não fui logo que vi, pois pensei que iria precisar de ajuda... - ele falou sem respirar.

- Você viu errado, o braço dele passou raspando no meu, mas não conseguiu me pegar e, nunca mais tentem voltar para ver o que aconteceu comigo se eu demorar muito, eu consigo me cuidar sozinha e, de algum modo que eu não posso explicar pra vocês conheço esse tipo de gente...

Lembrei de como ele agarrou meu braço, ainda podia sentir seu toque, que apesar de parecer ser frio, era totalmente quente. E eu certamente não devia estar pensando nisso, justamente da pessoa que estava nos perseguindo talvez até querendo nos matar, e também porque Adam estava ao meu lado.

Pegamos o primeiro ônibus que havia, sem nem saber para onde íamos. Por sorte deu tempo de pegarmos as mochilas e o livro,assim estaríamos mais preparados para o que quer que seja que estava vindo.

Quando o ônibus estava andando eu peguei no sono de tão cansada que estava e imagino que os outros fizeram a mesma coisa.

***

Acordei quando o ônibus deu uma guinchada parando e como eu já imaginava só havia nós quatro no ônibus, o motorista falou que aquela era a última parada, falou um nome estranho de cidade, mas devia ser nessas redondezas.

Saímos do ônibus e demos de cara com uma cidade antiga, sabe tipo aquelas que se mantém preservadas durante o tempo, só que eu nunca tinha ouvido falar desse tipo de lugar perto da onde eu morava.


Pra se ter uma ideia do que estávamos vendo, ela era sem asfalto, as ruas eram de pedras, casas também construídas de pedras e bem longe havia um verdadeiro castelo, aqueles antigos mesmo, com torres, todo com uma estrutura sombria, gótica, enfim, estávamos numa cidade conservada na Idade Média.


O motorista saiu do ônibus e começou a falar:


- Foi dada a vocês uma nova chance de fugir. Agora vocês poderão conhecer mais sobre seus perseguidores, suas fraquezas e sua história. Mas, cuidado, porque eles também foram transportados, então haverá aqueles que ainda não sabem da sua existência e os outros que querem te pegar. Nós te daremos dinheiro e roupas pra vocês conseguirem viver aqui. Boa Sorte!


Falando isso um trovão caiu bem encima do ônibus e ele desapareceu.


- O cara é bom na que faz, hein? - Sam perguntou quebrando o silêncio.


- É - todos falamos juntos.


Não estava acreditando naquilo. Poderia haver bruxas, anjos e vários tipos de demonios, mas viagens no tempo, aí já é demais. Só que quando olhei pra baixo não estava mais usando meus jeans e camiseta preta, e sim um lindo vestido, de muito bom gosto, era vermelho sangue com um espartilho preto, me fazendo parecer ter bem mais corpo do que eu realmente tenho, sem mangas e a saia ia até o chão.


Olhei para os outros e também estavam com roupas diferentes. Nica parecia uma boneca, com um vestido azul claro, espartilho branco com os mesmos efeitos pratas onde o meu era dourado, as mangas iam até suas mãos dando um caimento lindo, só os sapatos eram iguais aos meus - eu bem que preferia meu all star, mas... - Continuando, os garotos estavam totalmente diferentes, Sam estava usando uma camiseta branca bufante, estilo pirata, com um colete por cima e aquelas calças agarradas ridículas que mostram tudo, se vocês me entendem. Adam estava um pouco mais refinado, com um tipo de paletó - só que mais bonito que o normal - vermelho com as bordas douradas, camiseta preta com um lenço vermelho bufante - pelo menos aquilo me parecia um lenço - no lugar da gravata, e uma calça preta igual a do Sam, sabe que eu estou começando a adorar essas calças...


- Já é noite aqui, melhor procurarmos algum lugar para passá-la e ver se tem algum lugar para comer nessa pocilga - falei.


Começamos a andar e paramos no que imaginávamos que era o centro da vila, e avistamos um lugar chamado " pensão três velas" e seguimos pra lá.


Uma senhora desdentada estava atrás do balcão.


- Oi, queríamos um quarto com duas camas de casai - falou Adam que estava com o dinheiro, mão de vaca.


- Aqui estão a chave são quatro moedas.


Ele pagou e quando já estávamos subindo, ela se virou pra mim.


- Eu sei que você tem muito trabalho hoje, mais você pode não fazer muito barulho, cortesã?


Cortesã, cortesã, o que era mesmo... Espera aí, é...Essa velha acabou de me chamar de prostituta!Filha da mãe!


- Espera aí senhora, que direito você tem de ficar me chamando de pros...- não consegui terminar de falar, porque Adam começou a me puxar pela escada até o quarto.


Quando entramos no quarto alguém fechou a porta, e eu comecei a xingar de tudo que é palavrão que eu conhecia.


- Quem é ela pra vir me falar uma coisa dessas, nem me conhece, alguém aí sabe porque ela falou isso?


- É que tipo assim... - Nica começou a falar - Nessa época, se você se vestir do jeito que está é julgada cortesã.


- E quem aquele motorista de ônibus pensa que é pra me dar essas roupas, quando eu o encontrar de novo... - pensei numa coisa e continuei - Tudo bem, então, Nica e eu dormimos numa cama e vocês dois na outra, mas e sobre pijama, olha aí nas nossas bolsas e se tem alguma coisa.


- Tem quatro tipos de camisolas aqui, já todas as nossas roupas foram mudadas...


- Tá, deve servi isso mesmo.Vai usa a camisola também Nica?


- Claro, esse vestido é desconfortável.


- Virem de costas e se vocês pensarem em olhar pra trás enquanto a gente se troca, vão ser homens mortos , entenderam?


- Sim senhora - engraçadinho que falou.


Quando deitamos na cama para dormir, tive outro sonho daqueles...

Nele, havia aquele garoto que eu ainda iria descobrir o nome, já que ele mora nesta época. Só que dessa vez ele não estava com a capa e sim com uma roupa parecida com a do Adam, só que nele ficava perfeita, seus olhos não tinham nenhuma tristeza e raiva, eram brilhantes de alegria, seu cabelo arrumadinho, só que havia uma garota com ele, estava de costas, usando uma capa vermelha, por isso não deu pra ver quem era. Ela se virou pra mim, quando ia ver seu rosto tudo ficou preto e adormeci profundamente.

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